Entre os dias 14 e 16 de abril, o Centro de Convenções do Windsor Barra, no Rio de Janeiro (RJ), abrigou um importante encontro para a Medicina Nuclear mundial. A realização conjunta do 13º Simpósio Internacional de Terapia Alfa (TAT 13) e do 19º Simpósio Edwaldo Camargo – Terapia Beta reuniu especialistas do mundo todo para discutir inovações e práticas clínicas na área.
O CEPID CancerThera marcou presença com uma atuação de destaque em diversas frentes, envolvendo-se na organização, no fomento de parcerias em estande próprio e na apresentação e na avaliação de trabalhos científicos. O evento foi promovido por: Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBMN), Comissão Europeia, Instituto de Ensino e Pesquisa Edwaldo Camargo (IEPEC), Grupo Medicina Nuclear – Diagnóstico e Terapia (Grupo MND) e Nuclear Medicine Research Infrastrcuture (NuMeRI).

Propósito focado no paciente e conexões globais
A Dra. Elba Etchebehere, médica nuclear, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/Unicamp), pesquisadora principal no CancerThera e membro da comissão organizadora, ressaltou o poder da sinergia entre as especialidades. “A convergência entre os estudos em terapias alfa e beta em um mesmo evento abre espaço para uma rica troca entre profissionais de diferentes partes do mundo”, afirmou. Ela também fez questão de relembrar a mensagem do seu discurso inaugural, focada no verdadeiro alvo da ciência compartilhada pelos participantes do evento: “estávamos todos, coletivamente, presentes com um único propósito final: o paciente”.
Médica nuclear, pesquisadora associada ao CancerThera e membro da comissão organizadora, a Dra. Bárbara Juarez Amorim, reforçou o clima de sucesso do encontro. “Defino a experiência no evento com uma palavra: espetacular!”, celebrou. Segundo ela, a dimensão do simpósio superou as expectativas: “Foi maravilhoso ver um grande número de palestrantes de referência presentes e o orgulho de ver o Teranóstico crescendo tanto no Brasil”.
Com o objetivo de estreitar o relacionamento com a comunidade científica global e o mercado, o CancerThera contou com um estande exclusivo para visitação. A responsável pela produção e pela recepção no espaço foi a Dra. Maria Elvira Pizzigatti Correa, cirurgiã dentista e pesquisadora de pós-doutorado em Gestão Executiva da Pesquisa vinculada ao centro, fez um balanço das interações ao longo dos dias do congresso.
“Tivemos uma receptividade excelente por parte de todos. Estabelecemos muitos contatos valiosos com empresas e pesquisadores, tanto do cenário nacional quanto do internacional”, relata Correa. A pesquisadora notou que o público do evento, que contou com muitos profissionais estrangeiros, se refletiu no fluxo do estande. “Houve um interesse genuíno em saber sobre as pesquisas que o CancerThera desenvolve, o que mostra o valor do nosso trabalho em um ambiente focado no intercâmbio científico com líderes de renome mundial”, diz.




Produção acadêmica e avaliação científica
No eixo científico, houve também participação de debates essenciais no evento. A Dra. Luciana Malavolta Quaglio, radioquímica, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e pesquisadora principal no CancerThera, destacou a alta internacionalização do simpósio, notando que “metade dos participantes eram estrangeiros”. Ela ressaltou que os participantes trouxeram para o debate avanços e inovações em estudos pré-clínicos, aplicações translacionais e práticas clínicas, além de abordar dosimetria, garantia de qualidade e produção de radiofármacos, utilizando radionuclídeos emissores alfa.
Malavolta, que apresentou dois trabalhos focados no uso da apigenina (com o título Apigenin: perspectives in Nuclear Medicine) e em estratégias de radiomarcação de peptídeos (Radiolabeling Strategies for Peptides Targeting αvβ3 Integrin and EGFR using β-emitting Radionuclides), enxergou um forte alinhamento com o centro de pesquisa: “Há total convergência no que foi abordado no evento com o CancerThera, e foi, sem dúvida, uma oportunidade de troca de experiências e possibilidade de colaborações”.
Esse elo prático entre a bancada do laboratório e a clínica também foi evidenciado pela química e doutoranda Aline Morais de Souza, que apresentou o ePoster do trabalho, referido acima, sobre as estratégias para peptídeos focados nas integrinas αVβ3 e no EGFR. “As discussões, no geral, trouxeram uma perspectiva importante sobre os desafios entre a pesquisa laboratorial e a produção com potencial clínico, considerando requisitos regulatórios, reprodutibilidade e controle de qualidade”, explicou a pesquisadora, que é orientanda de Malavolta e bolsista no CancerThera. Ela, ainda, defendeu que o evento consolidou a percepção de que “a pesquisa básica precisa estar alinhada com a necessidade/aplicação clínica e com as demandas reais da área da saúde, o que reforça ainda mais a relevância do trabalho desenvolvido dentro do centro de pesquisa”.

Também apresentaram trabalhos os doutorandos Thiago Soares Rocha Alves (Theranostic in metastatic melanoma) e Caroline Torricelli Corrêa (Comparative evaluation of 18F-FDG and 18F-PSMA PET/CT in gastric and esophagogastric junction neoplasms) e a pós-doutoranda Ellen Nogueira Lima (Exploring the potential of PSMA PET/CT in pleomorphic sarcomas: a xomparison with FDG PET/CT), orientandos de Etchebehere.
Além da difusão de resultados de pesquisas, a equipe contribuiu para a validação científica. O Dr. Celso Dario Ramos, médico nuclear, professor da FCM/Unicamp e pesquisador principal no CancerThera, atuou ativamente como avaliador na sessão de pôsteres, celebrando o formato: “É sempre muito interessante poder conversar com os autores de uma maneira mais informal, dialogando de perto com eles”, comenta.
Acompanhando as atualizações do setor, Ramos, que também integra a comissão de organização do evento, elogiou as inovações mundiais debatidas, mencionando desde o sucesso da terapia beta no câncer de próstata – liderada por pioneiros como o Dr. Michael Hofman, médico nuclear e diretor do Peter MacCallum Cancer Centre, na Austrália – até as novas fronteiras da terapia alfa. “Me chamou a atenção o tratamento de tumores cerebrais com emissores alfa. Atualmente, existem alguns estudos que propõem a injeção intratumoral desses emissores, com alguns resultados promissores”, destaca.



Mais fotos do evento podem ser acessadas neste link.
Texto: Romulo Santana Osthues | Fotos: Rodrigo Augusto (cedidas pela SBMN) e Maria Elvira Pizzigatti Correa (CancerThera)








