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HC/Unicamp reestrutura área do Serviço de Medicina Nuclear e inaugura equipamento inédito em hospitais públicos na América Latina com apoio do CEPID CancerThera

O Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (HC/Unicamp) celebrou, em 10 de abril, um marco histórico para a saúde pública brasileira com a entrega de sua nova e totalmente reestruturada área do Serviço de Medicina Nuclear (SMN). 

Um dos grandes destaques da renovação foi a aquisição do equipamento SPECT/CT (Tomografia Computadorizada por Emissão de Fóton Único acoplado a uma Tomografia Computadorizada) com tecnologia de detectores CZT (Cádmio, Zinco e Telúrio), tornando o HC/Unicamp o primeiro hospital público da América Latina a contar com essa inovação tecnológica. Essa aquisição permite que a população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS) tenha acesso a exames tridimensionais de alta precisão, realizados em uma velocidade até quatro vezes maior.

Reestruturação do Serviço de Medicina Nuclear/HC/Unicamp
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Investimentos financeiros na modernização do SMN

A concretização da reestruturação e a aquisição do equipamento de SPECT/CT CZT contaram com o apoio decisivo do Poder Legislativo. A captação de aproximadamente R$ 4,5 milhões em emendas parlamentares foi essencial para isso, um esforço conjunto que contou com o suporte dos deputados federais Paulo Freire, Kim Kataguiri e Adriana Ventura; e da ex-deputada federal Cátia Sastre.

O custo aproximado do equipamento, do transporte e de sua instalação foi de mais de R$ 8,6 milhões, financiados em parte por essas emendas parlamentares e a outra parte pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), via o projeto que viabiliza o CancerThera – apoiado pela fundação como um de seus Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) –, contando também com verba da Reitoria da Unicamp.

Em entrevista, o Dr. Carmino Antônio de Souza, médico onco-hematologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, pesquisador principal no CEPID CancerThera e vice-presidente da FAPESP, resgatou a trajetória de reestruturação da área de imagem do hospital, que começou em 2012, mas que atingiu um novo patamar de excelência com o início das atividades do centro de pesquisa.

Conforme Souza, o marco inicial dessa grande transformação da área de imagem foi a aquisição de um equipamento de PET/CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons acoplado a uma Tomografia Computadorizada), um avanço que também foi financiado na época pela FAPESP por meio de um edital de Equipamentos Multiusuários (EMU). Essa primeira conquista representou um salto de qualidade fundamental para a instituição, impulsionando a produção de teses, a pesquisa acadêmica e a assistência oncológica, e evidenciou a necessidade contínua de aprimorar a infraestrutura diagnóstica do hospital.

Para manter a excelência e integrar o complexo às novas demandas, também com recursos da FAPESP via o CancerThera, foi garantida uma profunda atualização tecnológica desse mesmo equipamento, que demandou um investimento de cerca de R$ 2,3 milhões. Com essa renovação, o sistema passou a oferecer ferramentas que permitem, por exemplo, a realização de exames com PET/CT dinâmico e biópsias guiadas pelo PET, dentre outras facilidades que ampliam drasticamente a precisão diagnóstica.

“A reestruturação da Medicina Nuclear é um elemento fundamental para que a gente possa levar a termo o projeto, até porque em todos os momentos da abordagem Teranóstica – seja no diagnóstico, seja na definição do carreador, da avidez do tumor e da ação antitumoral – depende-se, fundamentalmente, de termos imagens de qualidade em todas essas etapas”, explica o pesquisador.

Souza também enfatizou a missão inerente ao centro de pesquisa que coordena de atuar pelo estado de São Paulo e pelo País: “Nosso trabalho no CancerThera está vinculado a grandes instituições de ensino e pesquisa, que são entidades públicas trabalhando exclusivamente para pacientes do sistema público de saúde”. Ele conclui apontando o objetivo maior da universidade: “O HC/Unicamp tem que estar na ponta. Temos de buscar todos os meios possíveis para que cumpramos essa função de Medicina, de Ciências da Saúde, na fronteira do conhecimento”.

Cerimônia de inauguração com a presença de apoiadores

O novo espaço une assistência médica personalizada, pesquisa científica avançada em Teranóstico e inovação no tratamento oncológico. A transformação foi detalhada pela coordenadora do SMN/HC/Unicamp, a Dra. Bárbara Juarez Amorim, ao descrever os desafios operacionais do passado, com infraestrutura inadequada e equipamentos operando no limite de vida útil até então. Em sua palestra na cerimônia de inauguração do novo espaço, Amorim explicou que o trabalho coletivo, atrelando a verbas parlamentares, à reserva técnica do CEPID CancerThera e ao suporte da Reitoria da Unicamp, mudou esse cenário.

A nova reestruturação física, avaliada em R$ 2,1 milhões, abrangeu muito mais do que a sala do equipamento principal. “Fizemos a instalação de um quarto terapêutico, que é essencial para realizar os procedimentos do Teranóstico, e também uma adequação na nossa radiofarmácia – o coração da Medicina Nuclear”, destacou a médica nuclear, que é também pesquisadora associada ao CancerThera.

A convergência entre o fomento científico e o impacto direto na vida do cidadão do estado de São Paulo foi o foco da fala do presidente da FAPESP, o Dr. Marco Antônio Zago, médico clínico e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. “Esse projeto é um exemplo de como a FAPESP emprega o dinheiro que recebe”, assegurou o médico. “A população também quer ver esse dinheiro aplicado em projetos de ciência e tecnologia que têm o efeito imediato da melhora da qualidade de vida”, afirmou.

Para Zago, a grandiosidade do CancerThera reside na sua capacidade de fazer a ponte entre o desenvolvimento teórico e as macas de atendimento do SUS. “São centros [como o CancerThera] que estão intermediários entre a ciência básica e esta ciência aplicada brasileira, que fazem a transição, que têm gente trabalhando nos aspectos mais elementares da biologia do câncer, ao mesmo tempo inaugurando uma máquina de imagens que servirá para a pesquisa e para o atendimento da população”, completou o presidente da fundação.

O incremento assistencial provocado por essa modernização foi evidenciado pelo coordenador-geral da Unicamp, o Dr. Fernando Antônio Santos Coelho, farmacêutico industrial e professor do Instituto de Química da Unicamp. Segundo ele, o SPECT/CT CZT fará diferença “não só para o desenvolvimento de trabalho de pesquisa, mas também e sobretudo para diagnósticos mais precisos e precoces do câncer”, pontuou. Coelho adicionou: “A partir do momento que o hospital público tem tecnologia de alta complexidade, ele tem o compromisso de atender grande parte da população, e a gente vai oferecendo cada vez mais qualidade naquilo que faz”.

No encerramento da cerimônia, o Dr. Paulo César Montanher, educador físico, professor da Faculdade de Educação Física da Unicamp e reitor da universidade, saudou o esforço da equipe acadêmica e relembrou o caráter histórico da área. “O nosso Serviço de Medicina Nuclear tem um pioneirismo que – vale lembrar – é de mais de 30 anos, e que tem uma busca permanente por soluções e avanços”, observou. Ao agradecer a vasta colaboração financeira e institucional que viabilizou a reestruturação, o reitor ainda vislumbrou o legado prático de longo prazo além da assistência: o ensino especializado aos alunos na universidade.

SAIBA MAIS | Os diferenciais tecnológicos do novo equipamento SPECT/CT CZT

O exame de SPECT/CT é um procedimento de imagem de alta tecnologia da Medicina Nuclear, voltado principalmente para o diagnóstico e o monitoramento de pacientes com câncer. SPECT significa Single Photon Emission Computed Tomography (Tomografia Computadorizada por Emissão de Fóton Único) e CT refere-se a Computed Tomography (Tomografia Computadorizada).

O equipamento funciona realizando a fusão da cintilografia com a tomografia. Com isso, ele é capaz de gerar imagens tridimensionais (3D) de corpo inteiro. Essa junção combina imagens funcionais com anatômicas, o que permite aos médicos detectar com altíssima exatidão a localização de tumores e metástases no paciente.

O modelo recém-inaugurado possui a tecnologia CZT (Cádmio, Zinco e Telúrio), que utiliza detectores dispostos em 360 graus ao redor do paciente. Aliado à Inteligência Artificial, isso torna o exame até quatro vezes mais rápido do que nos modelos convencionais, oferecendo uma resolução excelente e maior conforto. 

Essa combinação de rapidez e alta qualidade de imagem é essencial para a medicina de precisão, especificamente para dar suporte na prática do Teranóstico (abordagem que une diagnóstico e terapia no mesmo processo), garantindo diagnósticos mais apurados, terapias direcionadas para destruir as células tumorais e maior conforto aos pacientes durante os procedimentos.


Texto e fotos: Romulo Santana Osthues

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