Pesquisa analisou dados de Campinas por 10 anos e indica que moradores de áreas vulneráveis enfrentam mais dificuldade para diagnóstico e tratamento e a mortalidade pode ser até três vezes maior.
Por g1 Campinas e Região

Um estudo da Unicamp apontou que moradores de áreas mais vulneráveis de Campinas (SP) têm maior risco de morte por câncer, mesmo com menor incidência de casos nesses grupos.
Segundo pesquisadores do Centro de Inovação Teranóstica em Câncer (CancerThera), o acesso desigual aos serviços de saúde é um dos principais fatores para esse cenário. O trabalho foi publicado na revista científica internacional Cancer Epidemiology.
“Os dados mostram que a mortalidade por câncer pode ser até três vezes maior entre os mais vulneráveis, evidenciando que pode haver acesso tardio ao diagnóstico e ao tratamento”, afirma a epidemiologista Andrea von Zuben.
Para os autores, os dados indicam subdiagnóstico: a população mais vulnerável não necessariamente adoece menos, mas tem menos acesso a exames e descobre a doença em estágios mais avançados.
Entre os principais problemas identificados nesses grupos estão:
- Dependência quase exclusiva do SUS;
- Maior tempo de espera para exames e consultas;
- Diagnósticos tardios e menor chance de cura.
Segundo Andrea von Zuben, o estudo que teve como base uma década de dados deixa claro que “a desigualdade em saúde não só persiste, como em alguns casos está aumentando, exigindo políticas públicas direcionadas e territorializadas.”
“O câncer não vai diminuir, o câncer só vai aumentar. Então, nós temos que nos preparar”, afirma Carmino Antonio de Souza, pesquisador responsável pelo CancerThera.
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