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Pesquisador associado ao CEPID CancerThera, Fabio Luiz Navarro Marques é eleito presidente da SBBN com foco em inovação e articulação institucional

A Sociedade Brasileira de Biociências Nucleares (SBBN) inicia mais um ciclo institucional com a posse de um novo presidente para o biênio 2026–2028: o Dr. Fabio Luiz Navarro Marques, radioquímico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), atuando como pesquisador e orientador no programa de Pós-graduação em Oncologia. 

Pesquisador associado ao CEPID CancerThera, Marques assume a liderança da entidade com uma agenda voltada à integração entre ensino, pesquisa e aplicações científicas e tecnológicas, além do fortalecimento do papel estratégico das Biociências Nucleares no Brasil, sinalizando um momento de consolidação e projeção para a SBBN – que completa 30 anos de fundação em 2026.

Fabio Luiz Navarro Marques, radioquímico da FMUSP e pesquisador associado ao CancerThera, é o novo presidente da SBBN (biênio 2026–2028).

Perspectivas da nova gestão

A nova gestão se propõe a ampliar a articulação entre diferentes setores, reconhecendo o caráter multidisciplinar da área, que envolve profissionais de Biologia, Biomedicina, Farmácia, Física, Química e Medicina, com maioria atuando em instituições de ensino e pesquisa. 

A formação de recursos humanos qualificados e a expansão da atuação profissional em radioisótopos, radiotraçadores e radiofármacos aparecem como eixos centrais: “Naturalmente, aumentará o número de profissionais atuando na área, como nas unidades de produção de radiofármacos em cíclotrons ou mesmo em empresas radiofarmacêuticas que produzem kits liofilizados ou trabalham na área de radiofarmácia centralizada”, ressalta Marques. 

Do ponto de vista ambiental, a ação principal será a educação dos profissionais que atuam na área sobre o manejo e a destinação correta dos produtos radioativos, assim como dos produtos químicos e biológicos utilizados nas pesquisas ou em outros tipos de aplicações.

Outro eixo estratégico da nova diretoria é a ampliação do diálogo entre áreas, incluindo o fortalecimento das radiações não ionizantes (como o laser, a fotônica e as vibrações mecânicas). A proposta é fomentar conexões entre diversificadas frentes de pesquisa, integrando abordagens diagnósticas e terapêuticas. “Em nosso congresso de 2026, teremos mesas redondas discutindo os processos de neuroimagem utilizando radiofármacos e outras envolvendo estudos sobre o uso de plataformas vibratórias no tratamento do autismo”, exemplifica o novo presidente.

“Entendemos que as sociedades devem ‘sair do si mesmo’ – ou seja, deixar de participar somente dos seus congressos –, e ir conhecer ou fornecer conhecimento para outras áreas da pesquisa científica”, afirma. A atuação conjunta com a Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) é apontada como um modelo para esse movimento de abertura e de colaboração interdisciplinar.

Marques defende uma maior sinergia entre a comunidade científica e os órgãos reguladores como condição essencial para o avanço do setor. “Acreditamos que a ciência nuclear brasileira ganhará força quando as instituições reguladoras e as sociedades científicas caminharem em sintonia, alinhando discursos e ações”, ressalta. 

Nesse cenário, ganham destaque instituições como a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), fundamentais para viabilizar a expansão de centros de pesquisa e a produção de radioisótopos no País. A ANSN é a entidade responsável pela liberação e fiscalização das instituições que trabalham com material radioativo e a CNEN é responsável pela execução do programa nuclear do Estado brasileiro.

A análise do novo presidente também aponta para a necessidade de ampliar a infraestrutura científica nacional. Atualmente, a pesquisa em radioisótopos ainda se concentra em um número restrito de instituições, o que limita o desenvolvimento pleno da área. O CancerThera, então, surge como um exemplo relevante de articulação multicêntrica e inovação. “A Unicamp entra nesse cenário de forma ímpar com a implementação do CancerThera, com grupos de pesquisa atuando de forma coordenada para o desenvolvimento de radiofármacos”, observa Marques, ao destacar o potencial do modelo colaborativo e integrado entre braços de pesquisa (básico, pré-clínico e clínico), conhecido como “translacional”.

Além do fortalecimento científico, a nova gestão também pretende intensificar o diálogo com formuladores de políticas públicas, buscando ampliar o reconhecimento estratégico das Biociências Nucleares. “Há uma área de pesquisa básica que precisa ser ampliada e fortalecida se quisermos ganhar independência e protagonismo no cenário internacional quanto ao uso da radiação para o entendimento de processos biológicos, para o diagnóstico de doenças e para o desenvolvimento de fármacos”, diz.

No campo da saúde, a incidência política da SBBN já demonstra impacto concreto. Através da atuação da vice-presidente, a Dra. Ana Cláudia Camargo Miranda, farmacêutica e pesquisadora na FMUSP, a entidade participou da elaboração das bases do Projeto de Lei 2.167/2025, voltado à criação de uma política nacional para o desenvolvimento da Medicina Nuclear, em articulação com diversos órgãos governamentais e sociedades científicas. Segundo Marques, esse tipo de iniciativa evidencia a capacidade da área de contribuir diretamente para o avanço do sistema de saúde brasileiro e para o acesso a tecnologias diagnósticas e terapêuticas inovadoras.

Quadro diretivo da SBBN para o biênio 2026-2028

Presidente — Dr. Fabio Luiz Navarro Marques | Professor e pesquisador associado ao CEPID CancerThera, atua no desenvolvimento de radiofármacos e aplicações de Biociências Nucleares com foco translacional.

Vice-presidente — Dra. Ana Cláudia Camargo Miranda | Professora e pesquisadora na área de Medicina Nuclear, com atuação em Radiofarmácia, regulação e políticas públicas para o setor nuclear em saúde.

Secretário — Dr. Fábio Fernando Alves da Silva | Pesquisador na área de Radiofarmácia e Radioquímica, com experiência em produção e desenvolvimento de radioisótopos e radiotraçadores.

Tesoureiro — Dr. Aryel Heitor Ferreira | Professor e pesquisador em Nanomateriais, Radiofarmácia e Biociências Nucleares, com atuação no desenvolvimento de nanosistemas para aplicações em Medicina.


TextoRomulo Santana Osthues | Foto: Acervo pessoal

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