Por Carmino da Souza

A continuidade do fornecimento de medicamentos utilizados em oncologia e onco-hematologia, em sua maioria insubstituíveis, tem sido motivo de grande preocupação nos últimos anos. Passamos, nos últimos meses, por diversas crises no fornecimento de medicamentos que mobilizaram e preocuparam muitos profissionais das áreas médica e farmacêutica no Brasil.
O fornecimento de muitos medicamentos foi interrompido ou, pelo menos, tornou-se imprevisível, causando muita ansiedade em todo o sistema de assistência ao paciente onco-hematológico. Esses medicamentos incluíram: agentes alquilantes (cloridrato de melfalano, ciclofosfamida e clorambucil); derivados da podofilina (BCNU); enzimas (L-asparaginase); agentes antimetabólicos (hidroxiureia, como citarabina, 6-mercaptopurina); antibióticos antracíclicos (daunorrubicina e doxorrubicina); alcaloides da vinca (vinorelbina e vimblastina); bleomicina e procarbazina, entre outros.
Outro aspecto importante, mas pouco abordado, está relacionado à qualidade dos produtos disponíveis, visto que a grande maioria dos medicamentos “antigos” usados em oncologia são produtos considerados “medicamentos similares”, cuja origem, bioequivalência, processo de produção e resultados comparativos são frequentemente desconhecidos ou inexistentes.
Em dezembro de 2011, em uma publicação da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (1) , o Dr. Hagop M. Kantarjian, professor e diretor do Departamento de Leucemia do Hospital MD Anderson em Houston, alertou sobre uma possível escassez nos Estados Unidos de dois medicamentos essenciais para o tratamento da leucemia mieloide aguda (LMA): a citarabina e a daunorrubicina. O autor lembrou que “os regimes de quimioterapia contendo citarabina curam 40% dos pacientes com LMA; sem citarabina, a cura é próxima de 0%”. Este é um problema específico da história dos EUA que afetou milhares de pacientes com LMA.
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