Por Carmino de Souza

Nunca houve um momento mais importante ou estimulante para estudar a intersecção entre envelhecimento e saúde. Vivemos a era do crescimento e envelhecimento sem precedentes da população; em 2030, 1 em cada 6 pessoas terá mais de 60 anos através do mundo e também no Brasil. Esta mudança na população exige que melhoremos a nossa compreensão do processo de envelhecimento para sustentar e cuidar dos idosos tanto no futuro próximo como no futuro distante.
O tema do envelhecimento, por definição, abrange uma ampla gama de assuntos, tornando-se um tópico de pesquisa e assistência bastante complexo. Embora geralmente alinhado aos campos clínicos e científicos da geriatria e da gerontologia, o envelhecimento é um processo que dura a vida toda. Especificamente, muitas doenças e condições que se manifestam na velhice frequentemente se desenvolvem anos, senão décadas, antes, devido a uma combinação de fatores genéticos, de estilo de vida e de exposição. Para tanto, a fim de realmente avançar no campo do envelhecimento, devemos ampliar nosso escopo de “o que constitui envelhecimento” para “o que não constitui envelhecimento”. Um dos desafios mais importantes é definir o que significa “envelhecer bem”.
Envelhecer bem é mais do que a ausência de fragilidade e doenças. Independência, participação social e a capacidade de buscar o que é mais importante estão entre as principais prioridades para os idosos. Isso significa que a pesquisa precisa ir além das avaliações tradicionais de saúde física e cognitiva para abranger uma compreensão mais completa do processo de envelhecimento, desde os fatores biológicos até os sociais.
Estudos mostram que os dois fatores mais importantes da longevidade são a existência de cuidadores e a manutenção do ciclo social como amigos e família. Fatores ligados à medicina são os fatores seguintes. Nosso objetivo deve ser atender a essa necessidade, desenvolvendo processos de alta qualidade, com um contexto amplo e uma perspectiva translacional, ao longo de todo o ciclo de vida. Para atingir esse objetivo, intencionalmente amplo, devemos desenvolver ações de uma vasta gama de disciplinas, incluindo demografia, ciências sociais, pesquisa de políticas públicas, trabalho experimental, epidemiologia e estudos clínicos.
Devemos promover a pesquisa e assistência interdisciplinar e multiprofissional e fornecer uma plataforma para interação em todos os aspectos do envelhecimento, com focos centrados no ser humano. Ao mesmo tempo, o foco principal no envelhecimento nunca deve ser perdido. Especificamente, devemos abordar tópicos como saúde do adolescente, economia da saúde ou modelos experimentais, que devem incluir o envelhecimento como um fio condutor comum e devem abordar os aspectos translacionais e as implicações clínicas para o envelhecimento da população humana.
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