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Curso na China reúne pesquisadores e profissionais da Unicamp para imersão em imagem médica e inteligência artificial

A capacitação reuniu especialistas de diferentes áreas para explorar avanços em imagem médica e inteligência artificial. A a biomédica Juliana Pasquotto Souza, coordenadora do Serviço de Medicina Nuclear do HC Unicamp, o físico Vinicius Bassotti, residente em Física Nuclear no Serviço de Medicina Nuclear do HC Unicamp e a bióloga Ellen Nogueira Lima, pós-doutoranda no CEPID CancerThera, estiveram entre os profissionais brasileiros selecionados.

Quando pensamos no futuro do enfrentamento ao câncer, a resposta raramente habita um único laboratório ou centro de pesquisa. Ela se constrói na intersecção entre diferentes áreas do conhecimento e no uso estratégico de tecnologias de ponta colocadas a serviço da saúde. Com esse horizonte em mente, a bióloga Ellen Nogueira Lima, pós-doutoranda no CEPID CancerThera, o físico Vinicius Bassotti, residente em Física Nuclear no Serviço de Medicina Nuclear do Hospital de Clínicas da Unicamp (HC Unicamp) e a biomédica Juliana Pasquotto Souza, coordenadora do Serviço de Medicina Nuclear do HC Unicamp arrumaram as malas rumo a Pequim, na China.

Entre os dias 4 e 23 de agosto, o trio integrou o grupo brasileiro de participantes do Curso de formação em técnicas de imagiologia médica para o Brasil —  uma iniciativa de cooperação científica internacional voltada a técnicos e profissionais.

A oportunidade de intercâmbio científico foi viabilizada pela Profa. Dra. Elba Etchebehere, Médica Nuclear e pesquisadora principal no CancerThera, que identificou no convite internacional a possibilidade ideal para impulsionar a formação de talentos e fortalecer a atuação do centro. “Ter nossa equipe vivenciando o que há de mais avançado em tecnologia médica no exterior é fundamental para qualificar o que fazemos aqui. Essa troca direta de experiências enriquece tanto a nossa prática clínica e o suporte diagnóstico quanto às pesquisas que desenvolvemos no centro”, avalia Etchebehere.

A biomédica Juliana Pasquotto Souza, o físico Vinicius Bassotti e a biológa Ellen Nogueira Lima na sede da Academy for International Business Officials (AIBO), em Pequim.

Promovido pela Academy for International Business Officials (AIBO), órgão diretamente subordinado ao Ministério do Comércio da China (MOFCOM), o programa selecionou apenas 28 participantes de todo o Brasil — entre médicos, tecnólogos e engenheiros clínicos de instituições públicas ou filantrópicas — com o objetivo de aprimorar os sistemas de saúde pública e estreitar laços científicos entre os dois países. 

Uma imersão nos gigantes da inovação

Na sede da United Imaging Healthcare (UIH), o trio conheceu a diversidade de equipamentos de ponta em imagem médica e também equipamentos avançados de Medicina Nuclear.

A programação de alta intensidade passou por Pequim, Xangai e Changzhou, combinando visitas guiadas à sede e à imensa “superfábrica” da United Imaging Healthcare (UIH) [empresa chinesa globalmente reconhecida pela produção de soluções em diagnóstico e tratamento], além de passagens por hospitais chineses de diferentes níveis de complexidade. Para os pesquisadores, o grande diferencial da iniciativa esteve na oportunidade de acompanhar in loco a escala e a diversidade de equipamentos de ponta, não apenas tomografia computadorizada e ressonância magnética e mas também os equipamentos de Medicina Nuclear, como o PET/CT e SPECT/CT, além de inteligência artificial aplicada. 

O que mais impressionou o grupo foi testemunhar a sinergia entre tecnologia, organização e eficiência na saúde pública chinesa. A biomédica Juliana Pasquotto Souza destaca que a vivência proporcionou uma perspectiva inédita: “Minha experiência proporcionou uma nova visão sobre organização e gestão dos serviços de saúde. Observei a aplicação do Lean Healthcare, com foco na redução de desperdícios e melhoria contínua dos processos”, relata. Ela aponta que estratégias como o planejamento rigoroso de logística, sistemas de agendamento em massa e a otimização do fluxo de pacientes servem de modelo para identificar gargalos e buscar maior eficiência e qualidade no atendimento do HC Unicamp.

Complementando a visão técnica, a pesquisadora Ellen Nogueira Lima reforça o valor de ver essas ferramentas na prática: “Foi muito interessante não apenas conhecer tecnologias avançadas, mas principalmente observar como elas são utilizadas na rotina de diferentes hospitais”.

Além da infraestrutura física, o ciclo de palestras e as discussões clínicas previstas na programação permitiram uma imersão profunda na interpretação de imagens e no diagnóstico de patologias específicas, adaptados às vivências profissionais dos participantes, que, segundo Lima, incluíram médicos das Forças Armadas Brasileiras, além de médicos radiologistas, pediatras e outros profissionais da área de imagiologia.

Comitiva brasileira reunida durante a cooperação internacional promovida pelo Ministério do Comércio da China, reunindo os profissionais selecionados para estreitar laços e aprimorar a saúde pública.

Inteligência Artificial e o olhar que enxerga além do visível

A passagem do trio da Unicamp pela China incluiu a visita a um hospital chinês, o que permitiu a eles observar in loco a rotina assistencial, os fluxos de atendimento e a aplicação prática de tecnologias avançadas no sistema de saúde local.

Um dos pilares importantes da formação foi a exploração do uso da inteligência artificial incorporada à rotina dos exames de medicina nuclear e radiologia. Ao dominar algoritmos preditivos e abordagens inovadoras na análise de imagens médicas, os profissionais aprendem a otimizar processos analíticos complexos. Na prática oncológica, isso significa capacitar os sistemas para cruzar grandes volumes de dados e identificar padrões tumorais sutis em estágios extremamente precoces — uma frente de atuação que, a cada dia, tem ganhado mais valor. 

A vivência permitiu compreender de perto como a infraestrutura de um grande centro se alia à tecnologia para ampliar o suporte regional. “Para mim, que atuo em Medicina Nuclear, foi especialmente enriquecedor conhecer a estrutura e o funcionamento de um grande serviço da área e compreender como ele também oferece suporte a outras localidades da China”, pontua Lima.

Quando a tecnologia traduz-se em esperança

Por trás dos complexos fluxos de dados e dos painéis de última geração, o objetivo central de jornadas internacionais como essa é aprofundar o conhecimento sobre como uma inovação na área de saúde pode ser convertida em dignidade e qualidade de vida para o paciente. “O domínio de ferramentas diagnósticas hiperprecisas reduz margens de erro clínico, permitindo que equipes médicas desenhem estratégias terapêuticas altamente personalizadas”, explica Etchebehere.

Essa vivência estrangeira também reforça a maturidade científica nacional. Como relata Lima, a experiência internacional não apenas permitiu “importar” novas perspectivas para o serviço brasileiro, mas também reconhecer os avanços que o país já alcançou, ainda que não estejam necessariamente presentes em todos os serviços que conhecemos. 

Com o encerramento da missão na China, o grupo retorna a Campinas trazendo na bagagem repertório técnico e uma variedade de olhares sobre essa experiência que “certamente poderão contribuir tanto para a pesquisa quanto para a prática desenvolvida no Brasil”, conclui Lima.

Texto: Xenya Bucchioni

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