Skip links

Módulo promovido pelo CancerThera leva conhecimento de Teranósticos em Oncologia para o XXXV Congresso Médico Acadêmico da Unicamp 

Da esq. para dir., Dr. Fabio Fernando Alves da Silva, Dra. Carmen Silvia Passos Lima,  Dra. Adrhyann Jullyanne de Souza Portilho, Ms. Francisco Mastrobuono Cordeiro Almeida — pesquisadores do CEPID CancerThera.

Imagine poder enxergar um tumor com exatidão e, com a mesma tecnologia, diagnosticar e combater a doença entregando uma dose certeira de radiação ou medicação apenas às células doentes, poupando os tecidos saudáveis do corpo. O que parecia ficção científica há poucos anos, hoje, molda uma das fronteiras mais promissoras da Medicina: os teranósticos – tema do módulo especial ministrado por pesquisadores do CEPID CancerThera no XXXV Congresso Médico Acadêmico da Universidade Estadual de Campinas (CoMAU 2026), realizado entre os dias 7 e 8 de agosto na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Alvo certo na luta contra o câncer 

A Oncologia vive um momento de efervescência com modelos de tratamento generalistas dando espaço à medicina de precisão [abordagem terapêutica que personaliza o cuidado médico com base nas características genéticas e moleculares específicas de cada paciente e de seu tumor]. Dentro desse ecossistema, os teranósticos — neologismo que une “terapia” e “diagnóstico” — representam um marco tecnológico sem precedentes na Medicina Nuclear [especialidade médica que utiliza substâncias radioativas seguras para diagnosticar e tratar doenças].

Com o objetivo de apresentar de forma didática o conceito de Teranóstico e suas aplicações no desenvolvimento científico, em especial aos alunos do curso de Medicina, o módulo “Teranóstico em Oncologia: efeitos benéficos da radiação” foi estruturado em quatro palestras encadeadas, desvendando o percurso que vai da bancada do laboratório até a iminência da aplicação clínica.

A abertura teve início com a Dra. Adrhyann Jullyanne de Souza Portilho, bióloga e pós-doutoranda em clínica médica na FCM/Unicamp, que ministrou a palestra “Teranósticos em câncer: conceitos e aplicações”, introduzindo os principais termos da área e os teranósticos já disponíveis comercialmente.

Ao refletir sobre a vivência no congresso, a pesquisadora destaca a experiência enriquecedora de poder compartilhar conhecimentos sobre o uso de radiofármacos no diagnóstico e no tratamento de pacientes com câncer. “Despertar a curiosidade dos alunos no CoMAU e perceber o interesse deles ao longo da apresentação foi, sem dúvida, um dos momentos mais marcantes, pois disseminar esse conhecimento para a próxima geração de profissionais de saúde é parte fundamental do nosso trabalho”, afirma. 

O pesquisador Francisco Mastrobuono Cordeiro Almeida durante a palestra “Metalofármacos: concepção e síntese”, apresentada no módulo do CancerThera no XXXV CoMAU.

Da química básica aos testes pré-clínicos

Para que a terapia de precisão funcione no corpo humano, a engenharia molecular exige uma engrenagem multidisciplinar rigorosa. A segunda etapa do módulo apresentou a concepção e a síntese de novos compostos com a palestra “Metalofármacos: concepção e síntese”, apresentada pelo Ms. Francisco Mastrobuono Cordeiro Almeida, doutorando em química no Instituto de Química da Unicamp, que detalhou como os profissionais da área idealizam e desenvolvem novas moléculas e radiofármacos. 

Como explica o pesquisador, o maior desafio dessa atuação reside na complexidade por trás do desenho de novos compostos, já que isso demanda encontrar o balanço ideal na junção de um metal — como a platina ou o paládio, que possuem geometrias favoráveis à interação com o DNA — com um ligante adequado e compatível. Na prática, a pesquisa básica caminha no terreno da imprevisibilidade: sintetizar uma nova molécula exige forte embasamento na literatura, embora o sucesso biológico e o controle de toxicidades só possam ser plenamente medidos passo a passo.

Para Almeida, participar do congresso foi uma oportunidade de expor aos estudantes que a inovação farmacêutica é construída de forma multidisciplinar: “Foi legal para mostrar para os alunos, por exemplo, que a grande parte do desenvolvimento de novos fármacos não vem só da Medicina, vem dos Químicos, dos Físicos, Biomédicos, Biólogos”, conclui.

Na sequência, o módulo ministrado pelos pesquisadores do CancerThera aprofundou-se nas bases estruturais dessa engrenagem através das avaliações in vitro e in vivo [testes laboratoriais realizados em células e, posteriormente, em modelos biológicos vivos para comprovar eficácia e segurança], com a palestra “Radiofármacos: avaliações pré-clínicas”, conduzida pelo Dr. Fabio Fernando Alves da Silva, biólogo, bioquímico, doutor em tecnologia nuclear, pós-doutorando na FCM/UNICAMP.

Sobre o trabalho apresentado, Silva ressalta a oportunidade de compartilhar a pesquisa pré-clínica desenvolvida no CancerThera, abordando etapas fundamentais para a caracterização e validação de novos radiofármacos. “Escolhi destacar conceitos fundamentais de radiação, imagem molecular e teranóstico, além de explicar as caracterizações in vitro e in vivo necessárias para o desenvolvimento de radiofármacos, como os estudos de biodistribuição e a avaliação de seu potencial diagnóstico e terapêutico”, explica. 

Em sua avaliação sobre o evento, o pesquisador pontua que encontros como o CoMAU são essenciais para aproximar os estudantes da pesquisa científica e das novas tecnologias aplicadas à Medicina, promovendo o contato com áreas como Estatística, Química e Ciências Biológicas. Para Silva, essas iniciativas “mostram como a pesquisa básica, pré-clínica e clínica se complementam na construção de uma ciência translacional, direcionada aos pacientes.”

Combatendo os tumores mais desafiadores

O encerramento do módulo coube à Dra. Carmen Silvia Passos Lima, médica oncologista, professora da FCM/Unicamp, pesquisadora principal e coordenadora da área de Inovação no CancerThera. A palestra “Anti-Integrina em glioblastoma” sintetizou a jornada apresentada ao longo das outras conferências ao demonstrar os resultados preliminares do desenvolvimento de um radiofármaco com potencial teranóstico — unindo o peptídeo anti-integrina, o quelante DOTA e o gálio-68 — voltado ao enfrentamento do glioblastoma, um tumor cerebral primário de alta agressividade.

Segundo Lima, o objetivo principal foi ilustrar aos estudantes, de forma acessível, como todas as etapas se conectam na prática translacional. “Em seu conjunto, foi apresentado no módulo, de forma simplificada, parte do que se desenvolve em pesquisa no CancerThera e a apresentação dos resultados promissores de potencial teranóstico para glioblastoma acabou por fechá-lo com “chaves de ouro”, avalia. Ela acrescenta que o grande volume de pesquisadores de diversas áreas e o tempo dedicado ao desenvolvimento de um radiofármaco para um único alvo causaram forte impacto e surpresa na plateia. 

Para a pesquisadora, expor projetos reais aos futuros médicos fomenta um discernimento clínico mais aprimorado sobre prescrições e procedimentos, além de ser um impulso para atrair os jovens para atuação na pesquisa científica. O reflexo dessa aproximação já pôde ser medido imediatamente após o encerramento das atividades: “Vale comentar que parece que isso de fato acontece, pois inúmeros alunos nos procuraram ao final do módulo e esta semana pedindo orientação para realizar iniciação científica na área”, celebra Lima.

Texto: Xenya Bucchioni

Utilizamos cookies para aprimorar sua experiência no website.
CancerThera
Arraste!