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AGÊNCIA FAPESP I Marcador inédito usa tomografia para refinar prognóstico no câncer de estômago

Cientistas da Unicamp identificaram uma variável que combina dados da gordura visceral e do músculo, capaz de identificar pacientes com maior risco de evolução desfavorável da doença

Por Fernanda Bassette I Agência FAPESP

Um novo marcador identificado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pode contribuir para definir o prognóstico de pacientes com câncer do estômago, o quinto tipo de tumor mais comum no mundo. Um marcador funciona como indicador: neste caso, uma medida capaz de apontar quais pacientes teriam mais risco de apresentar evolução desfavorável da doença. A partir da análise de imagens de tomografia computadorizada, exame já realizado na rotina desses pacientes, o grupo identificou uma variável que combina dados da radiodensidade da gordura visceral e do músculo.

O estudo, realizado no Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, em parceria com o Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da mesma universidade, teve apoio financeiro da FAPESP (projetos 21/10265-8, 22/06239-4 e 23/13749-1).

A pesquisa concluiu que esse novo marcador – chamado VMD, sigla de Visceral-Muscle Density difference – poderá, no futuro, complementar o estadiamento – processo utilizado para determinar a localização, a gravidade e a extensão de uma doença, especialmente o câncer – tanto do tumor quanto do paciente e, com isso, abrir caminho para uma abordagem mais personalizada no tratamento. Os resultados foram publicados na revista científica Clinical Nutrition Espen.

A ideia, segundo os pesquisadores, surgiu a partir de uma mudança de perspectiva. Em vez de olhar apenas para o estadiamento do tumor, como é feito atualmente para definir o prognóstico, o grupo decidiu observar também o paciente. “Hoje, o tratamento do câncer ainda é muito centrado no tumor. A nossa proposta é olhar para o paciente como um todo. Essa é uma linha de pesquisa que o professor José Barreto [Campello Carvalheira] desenvolve há anos. Foi isso que me convenceu a participar: não basta tratar a doença, é preciso tratar o paciente”, resume Jun Takahashi, professor titular do IFGW-Unicamp e um dos coorientadores do estudo.

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