Estudo da Unicamp avalia um composto que une prata a anti-inflamatório. Expectativa é reduzir procedimentos invasivos, como a extração total de órgãos.
Por Yasmin Castro, g1 Campinas e região

A combinação entre anti-inflamatório e um complexo de prata pode transformar o tratamento do câncer de pele não melanoma, considerado o de maior incidência no Brasil, em uma terapia menos invasiva e traumática para os pacientes.
A técnica, que está em fase de testes, faz parte de uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que busca desenvolver uma alternativa aos tratamentos convencionais deste tipo de câncer.
Em estudos preliminares, o tratamento mostrou potencial para dispensar a cirurgia, já que consiste na aplicação, direto na pele, da substância que une a prata ao anti-inflamatório.
O câncer de pele não melanoma atinge áreas do corpo que ficam mais expostas ao sol, como orelha, nariz e boca. O principal tratamento convencional é chamado de “ressecção”, que consiste na remoção de uma parte ou da totalidade do órgão ou tecido atingidos. Esse procedimento pode ser agressivo, afetar a função do tecido e a autoestima do paciente.
O estudo já passou por etapas pré-clínicas, que envolvem testes em células e em camundongos, e está sendo avaliado em humanos desde o início de 2026.
Dependendo dos resultados, os pesquisadores pretendem submeter a técnica à análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com a expectativa de que ela possa chegar ao mercado nos próximos anos.
O Dia Global de Conscientização sobre o Câncer de Pele Não Melanoma é celebrado neste sábado (13). Para entender o tratamento, o g1 conversou com a médica oncologista Carmen Silvia Passos Lima, coordenadora do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital de Clínicas da Unicamp e do Laboratório de Genética do Câncer (Lageca) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM).
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