Em 28 de novembro, o CEPID CancerThera realizou a segunda edição de seu workshop anual, um encontro voltado às equipes que constituem o centro de pesquisa, marcado pela celebração da interdisciplinaridade e pelo avanço concreto de investigações que buscam inovações no diagnóstico e no tratamento do câncer no Brasil.
O evento reuniu pesquisadores principais, associados, alunos e colaboradores em um dia intenso de trocas científicas, reafirmando o compromisso do centro com a alta qualidade da pesquisa translacional – integração entre as pesquisas básica, pré-clínica e clínica – para a produção de radiofármacos e metalofármacos de uso no modelo Teranóstico.
O CancerThera tem se destacado pela rapidez com que articula diferentes áreas do conhecimento. Para o Dr. Carmino Antonio de Souza, médico onco-hematologista, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador responsável pelo CancerThera, o evento foi um reflexo da maturidade adquirida pelo grupo. “Foi um sucesso. A gente vê a quantidade de pessoas trabalhando, produzindo ciência, produzindo intersetorialidade, produzindo projetos… Com isso, a gente pode garantir que o CEPID CancerThera vem caminhando de maneira extremamente virtuosa”, avalia.
De acordo com Souza, o volume de produção acadêmica e inovação é surpreendente para o tempo de existência do centro – este mês, ele completa dois anos e meio de outorga pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, sua principal apoiadora. “A gente vê uma quantidade imensa de projetos, de papers que estão sendo já gestados, projetos que estão em andamento, projetos novos que virão, inovação e patentes. É incrível a dimensão que tomou o centro em um período tão curto de tempo”, completa.





Da bancada ao leito: integração e inovação na pesquisa translacional
“Foi um momento realmente de as pessoas interagirem ao máximo. Eu espero que a gente tenha muitas outras oportunidades de ter uma reunião como essa, envolvendo ciência, tecnologia e desenvolvimento, conhecendo cada vez mais as pessoas que fazem parte do nosso projeto”, diz o Dr. Pedro Paulo Corbi, químico, professor do Instituto de Química da Unicamp e pesquisador principal no CancerThera.
A visita de pesquisadores tanto de fora da universidade quanto de instituições internacionais, segundo ele, corrobora o crescimento do centro nesse último ano: “O evento foi sensacional, muito bem organizado, em um dia muito produtivo, com trabalhos de todas as áreas. Muitos resultados, muita inovação”, diz o pesquisador com entusiasmo.
Essa conexão entre as equipes é também mencionada pela Dra. Maria Elvira Pizzigatti Corrêa, cirurgiã dentista e pós-doutoranda em Gestão da Pesquisa no CancerThera. Para ela, o workshop cumpriu o papel vital de alinhar o conhecimento interno. “É importante a gente poder fazer essa translação, ou seja, criar diálogos entre as equipes, as equipes saberem o que cada um está fazendo e poderem se inteirar dos assuntos, ajudarem umas às outras e trabalharem juntas. Então, isso foi uma das coisas mais bonitas que aconteceu nesse evento”, celebra.
Outro grande diferencial do workshop foi a capacidade de integrar a ciência básica à aplicação clínica, passando pelos estudos pré-clínicos. O Dr. Fábio Luiz Navarro Marques, químico, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e associado ao CancerThera, ressalta essa característica única, que conseguiu reunir, em um dia de atividades, pesquisadores de várias áreas do conhecimento, cada uma voltada a uma das etapas da pesquisa translacional.
O evento contou com a apresentação de 43 trabalhos, abrangendo todo o espectro do desenvolvimento de radiofármacos e metalofármacos para aplicação no modelo Teranóstico. Para Marques, essa vitrine de trabalhos aponta para um futuro promissor de entregas reais à sociedade. “A gente conseguiu ver tudo o que o CancerThera está produzindo e vai levar para a sociedade dentro de pouco tempo, meses e anos. E, quem sabe, ao final de todo o projeto, com a ciência de alta qualidade que estamos fazendo agora, tenhamos conseguido produtos que vão atender à população brasileira na área de diagnóstico e terapia do câncer”, ressalta.
Reconhecimento internacional e sinergia na programação
A qualidade das pesquisas apresentadas impressionou o Dr. Eduardo Osvaldo Savio Quevedo, radiofarmacêutico, diretor técnico em Radiofarmácia e professor associado no Centro Uruguaio de Imagiologia Molecular (CUDIM). Membro do conselho consultivo internacional do CEPID CancerThera, ele destacou o desafio vencido pelo grupo ao unir tantas frentes distintas, articulando diferentes grupos de pesquisa que cobrem muitas áreas temáticas, como a Hematologia, a Oncologia – pré-clínica e clínica –, a Medicina Nuclear, a Radiofarmácia e a Radioquímica. Antes de participar do evento, ele afirma ter tido curiosidade de saber até onde os pesquisadores haviam avançado, no sentido de “articular olhares com perspectivas muito diferentes para trabalhar sinergicamente e potencializar os conhecimentos e introduzir ideias inovadoras”.
Ao ver o resultado prático no livro de resumos e nas apresentações dinâmicas, Savio não poupou elogios: “Quando recebi o livro de resumos e encontrei quase 50 trabalhos que contemplavam todo esse leque de áreas temáticas, fiquei primeiramente impressionado. E, depois, vivenciando aqui – onde respeitando-se o tempo – o desafio de falar em cinco minutos e poder concretizar o avanço de cada um dos trabalhos com um entusiasmo, com um compromisso, com colocar uma ideia sobre a mesa e deixar aberta para discussão”.
Ele, portanto, projeta um panorama: “Eu acredito que vai ser – está sendo – um projeto inovador no Brasil, e que, em um futuro a médio prazo, vamos ver também qual é o impacto que isso tem não só no estado de São Paulo, mas em todo o Brasil, e também como podemos nos conectar melhor com a região da América do Sul para poder liderar a inovação na área da Teranóstica”.
A programação do 2º workshop CancerThera foi estruturada para cobrir todas as etapas da cadeia de inovação no modelo Teranóstico e da gestão de projetos de pesquisa nessa área. Iniciando com uma palestra magna de Eduardo Osvaldo Savio Quevedo sobre desenvolvimento pré-clínico, o dia seguiu com quatro blocos temáticos robustos.
O primeiro dedicou-se às aplicações clínicas de PET/CT e diagnósticos em Oncologia, abordando desde mieloma múltiplo até câncer de pulmão. O segundo bloco focou no desenvolvimento de metalofármacos, explorando complexos à base de ouro, prata e cobre com potencial antitumoral. Após o almoço, as discussões dos blocos 3 e 4 giraram em torno da otimização de radiofármacos e do desenvolvimento de quelantes, incluindo estudos com gálio e lutécio, além dos temas de metabolismo tumoral e radiômica.
Uma seção final cobriu o tema da gestão da pesquisa científica, demonstrando a complexidade e a abrangência das investigações do centro em termos administrativos, de inovação e educação e difusão do conhecimento.





Rumo ao 3º Congresso CancerThera
O sucesso deste 2º Workshop CancerThera serviu como uma preparação estratégica para o 3º Congresso CancerThera, que ocorrerá nos dias 12 e 13 de março de 2026. O próximo evento promete uma programação mais ampla, ainda focada na pesquisa translacional no Teranóstico e com um curso pré-congresso já previsto sobre capacitação em Radioquímica e Química Inorgânica aplicada ao desenvolvimento de radiofármacos para diagnóstico e terapia. “Vamos desde a base, do decaimento radioativo, até os fundamentos da Química Inorgânica, e como isso se junta para criar os radiofármacos teranósticos”, explica Fábio Luiz Navarro Marques, que ministrará o curso ao lado do Dr. Victor Marcelo Deflon, químico, professor do Instituto de Química de São Carlos da USP e pesquisador principal no CancerThera. As inscrições para o congresso serão abertas em breve.
Texto: Romulo Santana Osthues | Fotos: Romulo Santana Osthues, Adrhyann Portilho, Aline Morais de Souza, Carmen Silvia Passos Lima, Caroline Torricelli, Daniele Affonso, Gabrielle Menezes, Giulia Bordoni, Natália Tobar e Patricia Frascarelli.









