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FUTURO DA SAÚDE I Teranóstica avança na oncologia, mas expansão depende de uma cadeia estruturada

Por Angélica Weise

Exemplo de medicina de precisão, a teranóstica combina diagnóstico e tratamento por meio da mesma molécula radioativa. A tecnologia permite identificar a presença de um alvo biológico específico no tumor e, a partir dessa informação, selecionar a terapia mais adequada para cada
paciente. Historicamente restrita aos tumores de tireoide e próstata e utilizada principalmente em pacientes com doença avançada, a abordagem começa a ganhar espaço em outras áreas da oncologia. Agora, também é estudada para câncer de mama, pulmão e gliomas, acompanhando uma transformação mais ampla da especialidade em direção a tratamentos cada vez mais personalizados.

A medicina nuclear utiliza o iodo radioativo para diagnóstico e tratamento de doenças da tireoide desde a década de 1940. O avanço da imagem em fases mais precoces da doença, e não apenas como alternativa para pacientes que já haviam esgotado outras opções terapêuticas. Esse avanço
também se reflete nas perspectivas econômicas da área. Estimativas apontam que o mercado global de radioteranóstica movimentou cerca de US$ 11,8 bilhões em 2025 e pode ultrapassar US$ 25 bilhões
até 2033.

No Brasil, a expansão da teranóstica ainda esbarra na oferta limitada de radiofármacos, na concentração dos serviços especializados e em desafios relacionados ao financiamento, à importação e ao registro de novos produtos. Somase a isso a necessidade de ampliar a infraestrutura da medicina nuclear, com mais equipamentos e serviços habilitados para realizar procedimentos teranósticos, além de formar e fixar profissionais especializados. “A expansão depende da organização de toda a cadeia assistencial”, diz
Paulo Almeida, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN).

A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) registra 453 serviços de medicina nuclear autorizados no país. O cadastro reúne estabelecimentos habilitados para realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos com material radioativo, mas não identifica quais oferecem especificamente a teranóstica. Atualmente, a tecnologia está concentrada em centros de alta complexidade e hospitais de referência em oncologia, como Einstein, SírioLibanês, A.C.Camargo Cancer Center, Instituto Nacional de Câncer (Inca), Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), Hospital de Amor, em Barretos, e Hospital das Clínicas da Unicamp, entre outros.

Especialistas avaliam que o cenário pode começar a mudar nos próximos anos. Uma série de fatores deve fortalecer a área, como a construção do Reator Multipropósito Brasileiro, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), com início das operações previsto para 2031. Além disso, também existe a implementação da Política Nacional de Expansão da Medicina Nuclear. A expectativa é que se amplie a produção nacional de radioisótopos, reduzindo a dependência por importações. Ainda, que isso possa se reverter na expansão da oferta da teranóstica no país.

(…)


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